De quanto é o prejuízo no tempo de espera que cai nas costas do transportador? Segundo relatório técnico da Federação dos Caminhoneiros Autônomos de Cargas em Geral do Estado de São Paulo (Fetrabens), a operação de carga e descarga no transporte rodoviário levou, em média, três dias e 16 horas por ocorrência. Atualmente, a legislação do setor fixa o limite máximo de cinco horas para a conclusão dessa etapa.
De acordo com a entidade, o estudo analisou mais de 400 registros entre 2021 e 2026. Como resultado, o tempo médio de permanência atingiu 88 horas e 32 minutos. Ou seja, os motoristas enfrentaram cerca de 83 horas de atraso além da margem legal permitida.
Impactos financeiros do prejuízo no tempo de espera
Por causa do tempo excedente, a base analisada acumulou mais de R$ 2,5 milhões em valores devidos com um valor médio de R$ 6,4 mil pelo tempo de espera. Atualmente, a norma da ANTT estipula R$ 2,50 por tonelada/hora para a espera adicional.
No entanto, esses dados não cobrem perdas indiretas, como o cancelamento de novos fretes, consumo de recursos durante a espera, a depreciação dos veículos ou reflexos sobre os prazos da cadeia de abastecimento.
Da mesma forma, pesquisas da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Terrestres (CNTTT) também indicam que a maioria dos motoristas enfrenta longas esperas e não recebe as compensações devidas.
Soluções para a logística rodoviária e fiscalização
Para mitigar o problema, a Fetrabens sugere o uso da Calculadora de Estadia como ferramenta oficial do setor. Ela utiliza informações como data e horário de chegada, data e horário de saída e capacidade total do veículo. A calculadora apresenta o valor calculado e gera uma certidão que organiza os dados da operação, apoiando a comprovação e a cobrança da estadia.
Nesse sentido, o relatório da Fetrabens recomenda que a ferramenta seja reconhecida como referência oficial e integrada a sistemas como o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas e o Documento Eletrônico de Transporte. A proposta, segundo a entidade, permitiria padronizar o cálculo, reduzir assimetrias de informação, facilitar a comprovação dos horários e produzir indicadores nacionais sobre o desempenho dos pontos de carga e descarga.
Em resumo, a medida busca padronizar cálculos e gerar dados para a fiscalização. Portanto, a estruturação das informações pode ajudar o poder público a identificar pontos críticos e melhorar os processos logísticos no Brasil.
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